domingo, 16 de março de 2014

12 livros de contraponto para se ler

Existe uma infinidade de livros sobre contraponto no mercado. Aqui listarei os livros que tive acesso, com pequenos comentários.

1- Manual de Contraponto - José Paulo Silva
Um dos primeiros livros a que tive acesso. O livro é bem didático e é vasto nos assuntos. Apesar disso, não segue a ordem proposta por Fux de começar pelo contraponto a duas vozes. Por isso exige o conhecimento prévio de harmonia e depois de estudar contrapontos até 8 vozes, mostra como fazer contrapontos a duas vozes.

2- Contraponto Modal - Any Raquel Carvalho

Um livro extremamente didático que aborda unicamente o contraponto modal a duas vozes e é rico em exemplos da literatura. A professora Any Raquel Carvalho é especialista em música brasileira para órgão e música antiga em geral.












3- Contraponto Tonal e Fuga - Any Raquel Carvalho

Escrito como continuação ao livro de contraponto modal, o livro vai um pouco mais além, abordando invenções a duas vozes e pequenas fugas no estilo barroco. Além disso, fala sobre contraponto a 3 vozes.













4- Contraponto Modal do século XVI - Koellreutter

O maestro alemão erradicado no Brasil participou da formação de diversos músicos influentes da música brasileira, incluindo o famoso Tom Jobim. Nesta obra, ele aborda resumidamente como proceder para estudar contraponto modal no estilo de Palestina, que é um estilo menos flexível e com regras mais duras. 











5- Contraponto: uma arte de compor - Lívio Tragtenberg

O professor Tragtenberg tenta fazer neste trabalho um tratado que vai um pouco além das regras de contraponto através de comentários artísticos no procedimento. Sua abordagem não é trivial e não recomendada para iniciantes.








6- Exercícios Preliminares em Contraponto - Arnold Schönberg


O pai do serialismo é também um especialista em crítica histórica da música. O seu livro de contraponto não foi finalizado devido a morte do compositor. Contudo um aluno seu organizou seus manuscritos, resultando nessa obra famosa. O nome sugere que Schönberg provavelmente pensava em escrever uma obra em sequência, que abordasse outras questões contrapontísticas, inclusive a fuga. O autor realiza diversos contrapontos sobre um mesmo canto dado, esgotando quase que matematicamente todas as possibilidades de realização. Apesar disso, devido ao forte enredo histórico e crítico, pode confundir músicos iniciantes.  A abordagem é direcionada a música tonal.


7- Counterpoint - Heinrich Schenker

Schenker foi um dos grandes críticos musicais do século XX. Seu livro, cheio de comentários ácidos tenta dar explicações às razões das regras contrapontísticas. Apesar disso, o leitor tem a impressão de que as razões não são muito convincentes, devido ao caráter subjetivo da explicação. Como Schönberg, o autor se fundamenta no contraponto tonal.







8- Gradus ad Parnassum - J. F. Fux

No século XVIII ainda era comum a influência clássica nos escritores. Por isso, o mestre alemão J. Fux escreve um livro na forma de diálogo, em que o discípulo aprende do seu mestre as principais regras de contraponto. O livro representa um marco histórico, pois foi Fux quem primeiro divide o contraponto em 5 espécies. Por isso sabe-se que a divisão em cinco espécies é apenas didática, ignorada por outros professores com métodos diferentes. Pode ser consultado mais como fonte musicológica do que com finalidade de aprendizado. Contudo, seus exemplos de contraponto são excelentes, todos fundamentos no estilo de Palestrina, segundo o autor.




9- Le Istitutioni Harmoniche - M. G. Zarlino

Para quem gosta de consultar as fontes históricas, o manual de Zarlino é muito utilizado. A primeira parte do livro se dedica a questões filosóficas e estéticas da música, algo que era muito comum na época. Além disso, é muito estudado por compositores que desejam aprender o estilo renascentista de música. Sem dúvida uma fonte rica de informações.











10- Counterpoint - The Polyphonic Vocal Style of Sixteenth Century - Knud Jepesen

Este livro completo e didático, aborda detalhadamente o estilo contrapontístico de Palestrina e é escrito por um dos maiores musicólogos do século XX. Apesar disso, contém muitas informações que não são bem processadas por iniciantes. Contudo, o músico experiente irá se deliciar com a sorte de detalhes técnicos.










11 - Modal Counterpoint - Peter Schubert

Um livro altamente didático que será bem aproveitado tanto por professores, quanto por estudantes que queiram se aprofundar no contraponto modal, estilo renascentista.










12- Contrapunto - Diether de la Motte

A autor faz uma comparação histórica dos diversos estilos de composição contrapontística ao longo dos séculos, passando por Desprez, Palestrina, Bach, Beethoven e até Schönberg. Um livro útil para se compreender a evolução histórica do contraponto e sua essência geral, independente do estilo.












Qual livro escolher?
Se você está procurando por livros, provavelmente sabe pouco sobre contraponto. Por isso recomendo fortemente os livros da professora Any Raquel, que além de serem simples, contém uma série de exemplos que podem ser executados.
Porém, se já possui um conhecimento médio, acredito que o livro do P. Schubert é uma boa pedida.
Já os livros do Schönberg, de la Motte e Schenker são mais voltados a músicos mais experientes, devido ao grande número de referências históricas e conceitos complicados.
Apesar disso, nenhum livro substitui a aula de um professor gabaritado para isso.
Bom proveito!!!

domingo, 9 de março de 2014

Instrumentos Estranhos - Serpentão

O serpentão é um instrumento de sopro originário da França. Surgiu por  volta do século XVI como uma variação do cornetto com a finalidade de reforçar as melodias religiosas na igreja católica.

Do mesmo modo que a trompa atual, o formato desse instrumento permitiu o posicionamento de um grande tubo nos braços do instrumentista. Porém, a trompa possui o formato de um tubo enrolado, enquanto o serpentão possui o formato de uma serpente ondulada.

Com o avanço da música de câmara e deterioramento da música religiosa, o serpentão começou a ser utilizado em formações musicais profanas até o século XIX. Inclusive foi utilizado na instrumentação da sinfonia fantástica de Berlioz.

Também foi muito utilizado em bandas de música. A
pesar disso, seu uso começou a decair com o aparecimento da tuba e do contrabaixo, que ofereciam mais flexibilidade e clareza nas execuções.

Fonte:
http://it.wikipedia.org/wiki/Serpentone_%28strumento_musicale%29

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Exercícios Tetrarrítmicos

Em uma post anterior, eu havia afirmado que o estudo dos métodos de Hindemith e Prince eram excelentes alternativas para o estudo da percepção rítmica. Contudo, como eu havia mencionado, nunca conheci um método que abordasse estudos com mais de duas vozes simultaneamente. Por isso comecei a escrever alguns estudos experimentais e compartilho a ideia hoje.

Exercício 1

Exercício 2

Exercício 3

Cânone 1

Cânone 2

Imitação

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Exemplos de Exercícios de Harmonia

Os sete primeiros exercícios do Manual de Harmonia escrito por José Paulo Silva






segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Da independência de Mãos

O piano é um instrumento pluriforme. Possui uma infinidade de notas que alcançam desde notas graves de um contrabaixo, até as notas mais agudas de um flautim.
Além disso, o piano não exige do instrumentista a manipulação direta das cordas, o que libera  as duas mãos para execução independente.
Por isso, o piano, e todo instrumento de tecla, detém a possibilidade de executar vários ritmos simultaneamente e este é um dos principais problemas para o pianista. 
As dicas abaixo tentam resolver esse grave problema, que é o objeto central, ou pelo menos deveria ser, de todo o método de introdução ao piano.

1- Bella Bartòk - Mikrokosmos

O famoso compositor e professor, Bartòk, escreveu uma série de exercícios para piano visando, inicialmente, o estudo do seu filho, Peter. Posteriormente, o próprio filho publicou os trabalhos organizados de forma gradual, isto é, do mais fácil até o mais difícil. Todo o trabalho está fundamentado na questão da independência de dedos e pode ser abordado por todo pianista, desde os iniciantes até o mais avançado. A grande vantagem é a organização progressiva. 
As peças do método possuem uma sonoridade típica do século XX, como era de se esperar, fundamentada na música folclórica e modal. Por causa disso, pode causar uma certa repugnância aos mais conservadores. Porém, sua preciosidade deve ser observada com cuidado! 
A primeira vista, talvez o método pareça muito simples, contudo, observando os andamentos sugeridos, dinâmica, acentuação e métrica, os resultados obtidos são fenomenais. Ao todo são 157 exercícios para liberar os dedos do pianista.

Exercícios de 1 a 17

2- Bach
Pode parecer ironia, contudo o melhor treinamento para independência de dedos é a obra do compositor J. S. Bach. Como se sabe, o fundamento de sua obra é essencialmente contrapontístico. Ora, o contraponto consiste na simultaneidade de melodias independentes. Deste modo, nada melhor para a independência das mãos que as obras de Bach. Porém, a obra não é sistematicamente didática e nem progressiva. É possível que o iniciante toque alguma das 23 peças fáceis. Talvez, após isso, possa progredir aos prelúdios e fughetas, para depois então, se lançar às invenções a 2 vozes. Deve ainda praticar, invenções a 3 vozes e peças do Cravo bem Temperado, obra que, segundo o grande pianista F. Chopin, é a melhor escola de piano já escrita.


Livro 1 - Prelúdios e Fugas

3- Contraponto
Todo músico possui um instrumento fundamental que é o cérebro, sede da coordenação motora. Como muitas pesquisas na área de neurociência indicam, a associação é poderosa nas questões de coordenação motora. Além disso, se a obra contrapontística para piano é um elemento indispensável para todo pianista, certamente o estudo do contraponto ira ajudá-lo a compreender o seu fundamento, aumentando as associações cerebrais. Obviamente, poucas pessoas são afeiçoadas a prática contrapontística, já que exige uma certa minuciosidade e paciência para dedicar-se. 
Neste link, é possível começar a estudar contraponto hoje mesmo.


4- Birritmia
É pouco divulgado nas casas de ensino tradicionais, os exercícios birrítmicos. Eles consistem em séries de solfejos e leituras rítmicas com 2 linhas melódicas ou rítmicas. Um estudante pode começar pelo método Prince (3 volumes) e depois se lançar ao Hindemith (Treinamento Elementar para Músicos). 
A execução desse tipo de exercício permite uma bela 
Particularmente, nunca encontrei exercícios com mais de 2 linhas rítmicas. Por isso cheguei a escrever algum. Tente executá-lo sem compromisso:

--> Deve-se usar as duas mãos, a voz e um pé para executá-lo.

5- Observação
Exercícios como os escritos por Czerny, Hannon, Crammer são excelentes para  AGILIDADE. Isso não quer dizer que devemos abandoná-los. Porém, se o foco do estudo, no momento, for a independência das mãos, foque um pouco nos autores mencionados. Pratique alguns exercícios escritos por Czerny e vários escritos pelos autores mencionados. A medida que a agilidade passar a ser o objeto primordial do estudo, use o Hannon, Czerny e Crammer.

sábado, 2 de novembro de 2013

Resumo Histórico da Música

Um dos maiores problemas para a história da música é o fato de que nem sempre a música pôde ser escrita. Só com o desenvolvimento da escrita musical, durante a idade média, é que se tornou possível registrar as músicas de forma a assegurar sua resistência por séculos.
Aqui será resumida a história da música ocidental em 6 etapas.

1- Música Medieval
A música medieval se define por características bem distintas da música atual. Forte religiosidade, predominância da música vocal e participação exclusiva de homens podem definir a música desse período.


Tal música, uma representante do estilo gótico, foi a primeira música inteiramente composta por um único compositor. Tal crédito rendeu fama ao compositor G. de Machaut.

2- Música Renascentista
Já a música renascentista, apesar da religiosidade, se caracteriza por um estilo mais aberto e flexível.


A missa acima foi composta por Josquin Desprez. É fundamentada num hino composto por St. Tomás de Aquino intitulado "Pange Lingua". Por isso a missa ficou apelidada de Missa Pange Lingua.

3- Música Barroca
Ao contrário da música anterior, no período barroco a evolução dos instrumentos permite uma forte prática instrumental e a música começa a sair significativamente da esfera religiosa.



O padre italiano Antonio Vivaldi ficou famoso por suas óperas, mas também por sua série de músicas  instrumentais dedicadas as estações do ano.

4- Música Clássica
O período clássico é caracterizado por clareza antes nunca vista. Contudo oscilações dinâmicas começam a aparecer com mais vigor na música, devido à melhoria da técnica instrumental. É um período em que começam a florescer os grandes virtuoses como Mozart, Clementi e Giuliani.



Mozart foi uma criança prodígio com morte prematura. Morreu aos 36 anos, mas deixou grande repertório camerístico, orquestral e solista.

5- Música Romântica
Após a revolução Francesa, a música começa a lidar com novos ideais. O Romantismo como um todo dá muito valor ao nacionalismo e ao sentimentalismo e sem dúvida é um dos principais ingredientes para a cultura do século XX.



Por isso pode-se utilizar Wagner como um representante digno do romantismo. Ele cultuava a cultura de seu país quase que religiosamente e sua dramaticidade supera as expectativas de qualquer ouvinte da época.

6- Música Moderna
A música moderna é, sem dúvida, resultado dos ideais do século XIX.  Segundo P. Grifith, a música moderna está fundamentada em três pilares. O pilar melódico de Debussy, o pilar ritmico de Stravinsky e o pilar harmônico de Schönberg.



Sem dúvida Schönberg é um dos nomes mais falados no século XX. a sua pequena obra Pierrot Lunaire representa um marco na história da música ocidental ao apresentar formalmente o conceito de serialismo.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Segunda Lei Tonal:


  • Cada área tonal possui três acordes.

Obs.: Todo acorde de sétima deve ter a sétima preparada. Excetuando-se os acordes dominantes como D7, D9 e D13 com suas respectivas inversões.

Exemplo em dó maior:
Tônica – Lá menor Dó maior Mi menor
Dominante – Mi menor Sol maior Si menor
Subdominante - Ré menor Fá maior Lá menor


Exemplo em dó menor:
Tônica - Láb maior Dó menor Mib maior
Dominante – Mi menor Sol maior Si menor
Subdominante – Réb maior Fá menor Láb maior


obs.: em vermelho → os relativos
em azul → os antirelativos

Exercícios para a segunda lei tonal:

Em tons maiores

a) || T | Sr D7 | T ||
b) || T | Sr D | T ||
c) || T | Sr6 D7 | T ||
d) || T | Sr D7 | Tr S6 | D 64 D7 | T ||
e) || T | D Dr | Tr S6 | D 64 D7 | T ||
f) || T Ta | Sa D | D6 D9 | T ||
g) || T Ta | Sa D | D6 D9 | T ||
h) || T Tr7 | S5 D7 | T ||
i) || T | Sr7 D37 | T ||
j) || T | Sr 65 D37 | T ||

Em tons menores

a) || T Tr | S D7 | T ||
b) || T D | Tr7 S 65 | D7 | T ||
c) || T | S D | Ta S6 | D 64 D7 | T ||

Em tons maiores e menores

| T | Sr7 D7 | D9 Dr7 | Tr7 Sr7| D 65 D7 | T ||

Glossário : 'a' minúsculo : antirelativo; 'r' minúsculo : relativo.

Bibliografia:
Princípios de harmonia funcional – Cyro Brisolla