quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Porque Teoria Musical?



1-Introdução
Recentemente tenho recebido muitas queixas de alunos que me perguntam o porque da teoria musical. A pergunta embora me pareça sem cabimento, tem sido um dos motivos de desistência nos últimos meses.
Explicarei meu pensamento a cerca dessa postura.

2- A leitura
Toda ciência tem seu próprio objeto do conhecimento. Como os objetos são diferentes para cada ciência, convém que cada uma se exponha em uma forma simbólica própria. Assim é que a matemática tem seus símbolos próprios adequados ao seu estudo, a língua dispõe da escrita para sua estrutura.
A música não poderia ser diferente. Foi apenas pelo advento da escrita musical que muitas obras se preservaram no tempo e é principalmente por meio da escrita que a música pode ser divulgada paras os instrumentistas ao redor do mundo.

3- O símbolo
Qualquer símbolo representa uma idéia. Com o símbolo musical não poderia ser diferente. Conhecer os símbolos musicais é um meio de se conhecer as idéias musicais como ritmo, nota, intensidade, dinâmica etc de forma precisa e objetivo. Algo que seria muito difícil ignorando o aprendizado desses símbolos.
Na língua não pode ser diferente. Tanto é que a criança só pode aprender a falar melhor e corretamente após o aprendizado da escrita linguística, a alfabetização. Por isso pode-se equiparar um músico que não conhece a partitura a um poeta analfabeto.
Até mesmo a idéia é um símbolo, um símbolo mental de uma realidade. Tendo no símbolo uma ponte entre o real e a inteligência, pode-se facilitar o aprendizado das coisas.

4- A partitura é algo que somente os músicos profissionais devem aprender?
Não. A partitura não é algo de nível profissional, assim como o Curso de Alfabetização não prepara um indivíduo para o ensino da língua. A partitura é algo elementar no início do aprendizado musical e ignorar seu aprendizado é ignorar a estruturação da própria música. A música, como qualquer outra arte ou ciência, consiste numa série de elementos como harmonia, fraseologia, esturturaçao formal etc, que vão muito além da simples leitura musical

5- A partitura como meio de conhecimento
Depois que a criança aprende a ler, fica livre para ler qualquer livro e aprender outras coisas. Da mesma forma acontece com a leitura da partitura. Depois de aprender a ler música, o estudante fica apto para ler sobre música, bem como ler e aprender por conta própria músicas novas.

6- A partitura como meio de expressão
Depois que aprende a escrever, a criança está apta para expressar suas idéias por meio da escrita e registrá-las num meio de informação como o papel. Assim, depois que o estudante de música aprende a escrever, está apto a divulgar suas próprias idéias. Lembro-me claramente de como uma amiga minha de ensino médio me ensinou uma música de Bach, por meio de um pedaço de papel que levei para casa e toquei. Isso não seria possível para a pessoa que não lê.

7- A experiência
Depois de um tempo lecionando música, pude perceber que os alunos que tiveram as aulas de leitura e estruturação musical puderam ter um aprendizado mais sólido e consequentemente uma técnica mais apurada. Aqueles que passaram anos aprendendo a tocar sem sequer aprender a ler, tiveram sua evolução interrompida por conta da própria limitação que é não saber simbolizar certas idéias e não poder apreender certas idéias através de símbolos.

8- Conclusão
Embora possa parecer enfadonho, o ensino da leitura e escrita de partituras é imprescindível a uma formação musical sólida, ainda que básica.




segunda-feira, 20 de junho de 2011

sábado, 21 de maio de 2011

Adoramus te Christe

Nesta seção, estarei publicando uma edição da obra seguinte obra de Palestrina:



Como dizem, Palestrina foi o auge do Contraponto Modal. Sua técnica está bem descrita no livro "The Style of Palestrina" da autoria de Knud Jeppessen.

Com o objetivo de estudo, escrevi a obra para uma partitura mais limpa que o scanned que encontrei.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Joaquim Callado - Flor Amorosa

Dizem que essa música música foi escrita em homenagem à Chiquinha Gonzaga, então fiz um arranjo para família das Clarinetas contendo 1 clarineta em Mib(requinta), 1 clarineta em Sib, 1 clarineta em Lá e um Clarone. A maior dificuldade foi enfrentar as diferentes transposições de cada instrumento, sendo que a requinta soa uma terça menor acima, o clarinete em Sib soa uma segunda maior abaixo, o clarinete em Lá soa uma terça menor abaixo e o clarone nada mais nada menos que uma nona maior abaixo. Apesar disso , a harmonia é bastante simples. A forma básica do choro é AA-BB-A-CC - A, contudo rompi com a estrutura original, expondo A-B-C - desenvolvimento - e reexpondo A. No pequeno desenvolvimento eu sobrepus os dois temas B e C. Espero que gostem.





Clarone - Raphael Mello
Clarinete - Wesley
Clarinete - Tamires
Clarinete - Rafael


Segue aqui um link para um breve biografia do Callado .





quarta-feira, 11 de maio de 2011

1x0

Hoje estarei publicando um arranjo finalizado semana retrasada. A música 1 x 0 de Pixinguinha foi instrumentada para 4 flautas. A dificuldade maior foi em criar a parte de baixo da música, uma vez que as flautas soam bem mais nas suas oitavas mais agudas. Além disso, devido ao caráter altamente movimentado da melodia principal, foi realmente difícil escrever partes secundárias melodiosas. O terceiro problema foi a introdução de cromatismos que muitas vezes não apareciam na harmonia principal.





quinta-feira, 31 de março de 2011

Arranjos para 2 oboés e arranjo para 2 vozes

Olá. Hoje estarei publicando dois arranjos meus recentes.
O primeiro é um arranjo da sétima invenção à duas vozes de Bach para dois oboés. A dificuldade maior se encontrou no fato de ter que transcrever a melodia para um instrumento com extensão melódica bem menor que os instrumentos de teclado. Além do mais encontrei dificuldades em transcrever o baixo original da invenção para uma melodia aguda sem que tal melodia se embolasse por demasia com a outra.
A segunda é um arranjo de um trecho do Sanctus da "Missa Hercules Dux Ferrariae" de Josquin Desprez, eu apenas adaptei o trecho "Pleni Sunt in Coeli" , originalmente construído para duas vozes masculinas para uma voz masculina e feminina. Para tal foi só transcrever a parte aguda 1 oitava acima da original.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Melodia x Harmonia

1-Introdução
Me recordo claramente de que, quando eu comecei a me interessar mais seriamente por música, o que mais me chamou atenção em Bach, foi a textura contrapontística. Não sabia explicar claramente de que eu gostava disso, mas a medida que fui estudando percebi o que era "aquilo" que me chamava a atenção.
No princípio, tentei fazer alguma coisa com várias melodias e ritmos acontecendo ao mesmo tempo, tendo criado verdadeiros sambas do crioulo doido totalmente ininteligíveis. Quando li um livro sobre análise musical que falava esparsamente sobre contraponto, percebi o que era aquilo que eu buscava entender nas obras e que tentava impor nas minhas, obviamente sem técnica nenhuma.
Como sempre fui ligado à música popular para violão, fiquei tecnicamente apegado mais à harmonia do que a melodia, de forma que foi preciso muito estudo (e ainda é preciso mais) para tentar criar linhas melódicas realmente independentes e interessantes.
À medida que fui estudando contraponto, acabei me viciando. Eu desejava criar um contraponto magnífico e que pudesse ter inúmeras melodias maravilhosas soando harmoniosamente. Comprava mais e mais livros sobre a matéria, mas sentia que ainda faltava alguma coisa. Até que me deparei com o trabalho do Knud Jepesen (Counterpoint - the Polifonic Vocal Style of the xvi century). Ele é citado simplesmente por todos os tratadistas com que tive contato, de forma que me pareceu imprescindível a leitura de sua obra.

2-A música como melodia
Mesmo sem entender muito sobre civilizaçÕes antigas, qualquer pessoa compreende que a forma mais fácil de se produzir um som é o atrito ou o ataque à algum objeto. Isso sugere que o ritmo é a coisa mais primordial em música, tendo vindo antes mesmo da melodia. Contudo, mesmo com a dificuldade da construção de um instrumento melódico, qualquer ser humano já tinha embutido em suas pregas vocais um agradabilíssimo instrumento musical: a voz. Acho que não deve ter tardado a surgir a melodia, logo após o aparecimento do ritmo. obviamente se o ritmo e a melodia são coisas primordiais, ao menos cronologicamente, no desenvolvimento da música, penso que a harmonia não passa de um mero efeito (indispensável) na arquitetura musical. Talvez por isso, muitos teóricos da música classificam a melodia como "a música propriamente" ou "aquilo que pode ser cantado, entoado pela voz". Essas duas definições vão gerar duas obsevações em música.
  • A melodia é mais importante/atraente do que a harmonia
  • A melodia, mesmo que instrumental, deve sugerir um canto, mesmo que por uma voz poderosíssima.
E talvez com base nesses dois princípios, os primeiros músicos a trabalhar com contraponto tiveram que criar mecanismos que favorecessem as melodias. E com certeza os renascentistas se tornaram ilustres na arte do contraponto. Por isso mesmo decidi voltar 400 anos ou mais e estudar as teorias vigentes na época de Palestrina.

3- A harmonia
Quando surge um interesse maior dos músicos na estrutura vertical da música, como era no Barroco, a melodia não era desprezada, mas também já não era o único fator suficiente para mover o interesse do ouvinte pela obra. Além disso, podemos perceber que tal interesse, tendo começado no século XVIII, dura pouco tempo, até o início do século XX. O músico contemporâneo, passa a dar mais valor a melodia do que à harmonia, deixando claro que o que move a música é propriamente a melodia e não a harmonia. Por isso mesmo, Koelreuter no seu pequeno tratado sobre contraponto modal, fala que para se entender melhor a música contemporânea, faz-se necessário voltar à Palestrina, dando mais importância à parte melódica do que à parte harmônica.

4- Conclusão
Se em sua longa estória, melodia e ritmo parecem ter prevalecido na música, fica sugerido que um bom compositor deva, antes de tudo, ser um bom melodista e , na medida do possível, um bom contrapontista.
Entendo que o que os teóricos chamam de harmonia, não passa de um desdobramento do contraponto, uma forma de focar na parte vertical ignorando a horizontal, da inversa forma como no contraponto modal, em que as melodias são focadas ao invés das estruturas verticais. É possível, sim, um contraponto atraente sem estudo da harmonia, mas impossível uma harmonia atraente sem estudo do contraponto. Por isso , venho a concordar com a professora Any Raquel, de que os alunos devem (sobretudo) entender as melodias que se passam nas obras (próprias ou alheias) e além disso o contraponto deve vir antes da harmonia nas grades curriculares.