sábado, 21 de maio de 2011

Adoramus te Christe

Nesta seção, estarei publicando uma edição da obra seguinte obra de Palestrina:



Como dizem, Palestrina foi o auge do Contraponto Modal. Sua técnica está bem descrita no livro "The Style of Palestrina" da autoria de Knud Jeppessen.

Com o objetivo de estudo, escrevi a obra para uma partitura mais limpa que o scanned que encontrei.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Joaquim Callado - Flor Amorosa

Dizem que essa música música foi escrita em homenagem à Chiquinha Gonzaga, então fiz um arranjo para família das Clarinetas contendo 1 clarineta em Mib(requinta), 1 clarineta em Sib, 1 clarineta em Lá e um Clarone. A maior dificuldade foi enfrentar as diferentes transposições de cada instrumento, sendo que a requinta soa uma terça menor acima, o clarinete em Sib soa uma segunda maior abaixo, o clarinete em Lá soa uma terça menor abaixo e o clarone nada mais nada menos que uma nona maior abaixo. Apesar disso , a harmonia é bastante simples. A forma básica do choro é AA-BB-A-CC - A, contudo rompi com a estrutura original, expondo A-B-C - desenvolvimento - e reexpondo A. No pequeno desenvolvimento eu sobrepus os dois temas B e C. Espero que gostem.





Clarone - Raphael Mello
Clarinete - Wesley
Clarinete - Tamires
Clarinete - Rafael


Segue aqui um link para um breve biografia do Callado .





quarta-feira, 11 de maio de 2011

1x0

Hoje estarei publicando um arranjo finalizado semana retrasada. A música 1 x 0 de Pixinguinha foi instrumentada para 4 flautas. A dificuldade maior foi em criar a parte de baixo da música, uma vez que as flautas soam bem mais nas suas oitavas mais agudas. Além disso, devido ao caráter altamente movimentado da melodia principal, foi realmente difícil escrever partes secundárias melodiosas. O terceiro problema foi a introdução de cromatismos que muitas vezes não apareciam na harmonia principal.





quinta-feira, 31 de março de 2011

Arranjos para 2 oboés e arranjo para 2 vozes

Olá. Hoje estarei publicando dois arranjos meus recentes.
O primeiro é um arranjo da sétima invenção à duas vozes de Bach para dois oboés. A dificuldade maior se encontrou no fato de ter que transcrever a melodia para um instrumento com extensão melódica bem menor que os instrumentos de teclado. Além do mais encontrei dificuldades em transcrever o baixo original da invenção para uma melodia aguda sem que tal melodia se embolasse por demasia com a outra.
A segunda é um arranjo de um trecho do Sanctus da "Missa Hercules Dux Ferrariae" de Josquin Desprez, eu apenas adaptei o trecho "Pleni Sunt in Coeli" , originalmente construído para duas vozes masculinas para uma voz masculina e feminina. Para tal foi só transcrever a parte aguda 1 oitava acima da original.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Melodia x Harmonia

1-Introdução
Me recordo claramente de que, quando eu comecei a me interessar mais seriamente por música, o que mais me chamou atenção em Bach, foi a textura contrapontística. Não sabia explicar claramente de que eu gostava disso, mas a medida que fui estudando percebi o que era "aquilo" que me chamava a atenção.
No princípio, tentei fazer alguma coisa com várias melodias e ritmos acontecendo ao mesmo tempo, tendo criado verdadeiros sambas do crioulo doido totalmente ininteligíveis. Quando li um livro sobre análise musical que falava esparsamente sobre contraponto, percebi o que era aquilo que eu buscava entender nas obras e que tentava impor nas minhas, obviamente sem técnica nenhuma.
Como sempre fui ligado à música popular para violão, fiquei tecnicamente apegado mais à harmonia do que a melodia, de forma que foi preciso muito estudo (e ainda é preciso mais) para tentar criar linhas melódicas realmente independentes e interessantes.
À medida que fui estudando contraponto, acabei me viciando. Eu desejava criar um contraponto magnífico e que pudesse ter inúmeras melodias maravilhosas soando harmoniosamente. Comprava mais e mais livros sobre a matéria, mas sentia que ainda faltava alguma coisa. Até que me deparei com o trabalho do Knud Jepesen (Counterpoint - the Polifonic Vocal Style of the xvi century). Ele é citado simplesmente por todos os tratadistas com que tive contato, de forma que me pareceu imprescindível a leitura de sua obra.

2-A música como melodia
Mesmo sem entender muito sobre civilizaçÕes antigas, qualquer pessoa compreende que a forma mais fácil de se produzir um som é o atrito ou o ataque à algum objeto. Isso sugere que o ritmo é a coisa mais primordial em música, tendo vindo antes mesmo da melodia. Contudo, mesmo com a dificuldade da construção de um instrumento melódico, qualquer ser humano já tinha embutido em suas pregas vocais um agradabilíssimo instrumento musical: a voz. Acho que não deve ter tardado a surgir a melodia, logo após o aparecimento do ritmo. obviamente se o ritmo e a melodia são coisas primordiais, ao menos cronologicamente, no desenvolvimento da música, penso que a harmonia não passa de um mero efeito (indispensável) na arquitetura musical. Talvez por isso, muitos teóricos da música classificam a melodia como "a música propriamente" ou "aquilo que pode ser cantado, entoado pela voz". Essas duas definições vão gerar duas obsevações em música.
  • A melodia é mais importante/atraente do que a harmonia
  • A melodia, mesmo que instrumental, deve sugerir um canto, mesmo que por uma voz poderosíssima.
E talvez com base nesses dois princípios, os primeiros músicos a trabalhar com contraponto tiveram que criar mecanismos que favorecessem as melodias. E com certeza os renascentistas se tornaram ilustres na arte do contraponto. Por isso mesmo decidi voltar 400 anos ou mais e estudar as teorias vigentes na época de Palestrina.

3- A harmonia
Quando surge um interesse maior dos músicos na estrutura vertical da música, como era no Barroco, a melodia não era desprezada, mas também já não era o único fator suficiente para mover o interesse do ouvinte pela obra. Além disso, podemos perceber que tal interesse, tendo começado no século XVIII, dura pouco tempo, até o início do século XX. O músico contemporâneo, passa a dar mais valor a melodia do que à harmonia, deixando claro que o que move a música é propriamente a melodia e não a harmonia. Por isso mesmo, Koelreuter no seu pequeno tratado sobre contraponto modal, fala que para se entender melhor a música contemporânea, faz-se necessário voltar à Palestrina, dando mais importância à parte melódica do que à parte harmônica.

4- Conclusão
Se em sua longa estória, melodia e ritmo parecem ter prevalecido na música, fica sugerido que um bom compositor deva, antes de tudo, ser um bom melodista e , na medida do possível, um bom contrapontista.
Entendo que o que os teóricos chamam de harmonia, não passa de um desdobramento do contraponto, uma forma de focar na parte vertical ignorando a horizontal, da inversa forma como no contraponto modal, em que as melodias são focadas ao invés das estruturas verticais. É possível, sim, um contraponto atraente sem estudo da harmonia, mas impossível uma harmonia atraente sem estudo do contraponto. Por isso , venho a concordar com a professora Any Raquel, de que os alunos devem (sobretudo) entender as melodias que se passam nas obras (próprias ou alheias) e além disso o contraponto deve vir antes da harmonia nas grades curriculares.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Aula de Tuane


Tuane tem quase 11 anos e começou a estudar violão popular no mês passado. Tem sido muito paciente e estudiosa. Espero que ela possa levar o curso até o final.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Análise da Invenção 1 à duas vozes de Bach em Dó maior









A- Tema
B- Contra-Tema
A' - Tema na Dominante
B' - Contra-Tema na Dominante

Compasso 1: o Tema é exposto 2 vezes. Uma vez no registro médio e outra vez 1 oitava abaixo. O Contra-tema é apresentado acima do tema na sua reapresentação.
Compasso 2: o Tema é exposto na dominante. Note que em nenhum momento neste compasso ele usa a nota Fá.






A I - Tema invertido: Os graus conju
ntos/disjuntos são respeitados, mas o que era ascendente torna-se descendente e vice-versa. Além disso ele parte da nota Lá ao invés da nota Dó.
A I'- Tema invertido uma terça abaixo.
A I'' - Tema invertido uma quinta abaixo.

a - um fragmento do tema ( dó - ré - mi - fá) aumentado em dobro e alterado na nota Fá.
a'- o mesmo fragmento uma terça abaixo.
a'' - o mesmo fragmento uma quinta abaixo.

-> a repetição consecutiva de uma idéia em uma altura diferente na mesma voz é chamada de sequência. Nesse momento, o baixo além de imitar o tema, é conduzido sequencialmente. A sequência é uma forma de unificar a composição sem ter que trazer muitos elementos novos e externos. Nas suas invençÕes
Bach apenas utilizou-se do material contido no tema para o desenvolvimento, o que reporta sua genialidade contrapontística.






A'' - Tema exposto na dominante do tom da dominante do tom original. Expor a dominante é o melhor meio de explicitar o tom ao qual se modulou. Por isso Bach usa o acorde D maior (acorde dominante)para indicar que o tom foi para Sol maior (Tom da dominante de Dó maior).

A I - tema invertido

A'- Sugere uma imitação real, parcial e aumentada do tema original.

D e D' - Material extra. Não consegui justificar a coesão desse material com o tema.


A' - Tema reexposto no novo tom
B - Contratema reexposto no novo tom

A''- Tema na dominante do novo tom
A'''- Tema uma quinta acima do tema A''
B'- Contratema ao A'''.







A, A', A'' e A''' - Temaa transpostos, invertidos e em sequência.
B e B' - Contratema derivado do Tema; Fragmento do Tema








A, A', A''' e A''''- Tema transposto e sequenciado.
B , B', B''' - Contratema derivado do tema.